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Cachorro com medo de fogos: o que fazer no Réveillon, no São João e em dia de jogo

Aqui, fogos não são uma noite por ano: tem Réveillon, festa junina, final de campeonato, gol em dia de jogo. Para um cachorro com medo, cada uma é uma noite de pânico, e quase tudo que ajuda precisa estar pronto antes do primeiro estouro.

Atualizado em · 5 min de leitura · pela equipe do DogHush

Na hora dos fogos, deixe o cachorro dentro de casa, com portas, janelas e portão fechados, num cômodo com a cortina fechada e a luz acesa, com TV ou música para disfarçar o barulho, e fique com ele. Se ele procurar você, dê atenção com calma; ignorar não ajuda. Não o prenda na guia nem na corrente, mantenha a coleira com identificação e não dê bronca. Se o medo é forte, fale com o veterinário semanas antes da data, não na véspera.

Um buldogue francês olha para um iPhone numa prateleira. A tela do DogHush mostra o app ouvindo, com três latidos respondidos.

Ensinando a palavra? O DogHush repete por você, na sua voz, toda vez que ele late.

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Por que tantos cachorros têm medo de fogos?

Porque é comum, não frescura. Numa pesquisa com 1.225 donos publicada em 2019, 52% dos cachorros eram afetados ao menos em parte pelo medo de fogos, e a maioria desenvolveu o medo no primeiro ano de vida. Esse medo andava junto com medo de trovão e de tiros. A boa notícia do mesmo estudo: quase três em cada quatro cachorros com medo voltavam ao normal até a manhã seguinte; uma minoria levava dias ou semanas.

Quando os fogos costumam acontecer?

A Dogs Trust recomenda descobrir com antecedência quando vai ter fogos na sua região. No Brasil a lista é longa: Natal e Réveillon, festas juninas (sobretudo no Nordeste), jogos e títulos de futebol, Carnaval, festas de padroeiro. A programação da prefeitura, o grupo do bairro ou do condomínio e a tabela do campeonato avisam boa parte. Nesses dias, passeie com ele ainda de dia: a Dogs Trust aconselha não sair depois de escurecer.

O que fazer na hora dos fogos?

  • Tudo fechado. Portas, janelas e portão. A Dogs Trust sugere fechar as cortinas e acender as luzes. Em apartamento, a porta da varanda fica fechada: um cachorro em pânico pode tentar pular.
  • Um refúgio. O cantinho que ele escolhe, com cama e cobertor. O CRMV-SP sugere deixar a caixa de transporte à disposição para ele se refugiar. Se ele quiser se esconder embaixo da cama, deixe.
  • Som para disfarçar. TV ou música ligada no cômodo, como recomendam a Dogs Trust e o CRMV-SP. O que tocar.
  • Fique com ele. A Dogs Trust avisa que o cachorro pode entrar em pânico se ficar sozinho, e ter por perto alguém em quem ele confia ajuda.
  • Conforte, se ele pedir. A ideia de que consolar reforça o medo não se sustenta: segundo a Dogs Trust, a pesquisa mostra que ignorar não ajuda. Fale baixo, faça carinho se ele quiser, e não force colo em quem prefere se esconder.
  • Petisco a cada estouro, se ele aceitar comida. No estudo de 2019, dar algo muito bom logo depois dos barulhos foi, segundo os donos, uma das técnicas mais eficazes, funcionando em mais de dois terços dos casos.
  • Nada de guia presa nem corrente. “Não use guias”, orienta o CRMV-SP: um cachorro apavorado pode correr, se enrolar e se enforcar. A coleira fica, com plaquinha de nome e telefone, e vale conferir se o microchip está com os dados atualizados.
  • Cães e gatos separados, porque, segundo o CRMV-SP, podem atacar um ao outro nesses momentos.
  • Nada de bronca, mesmo que ele faça xixi ou estrague algo de medo. A Dogs Trust lembra que isso pode deixá-lo ainda mais assustado.

Posso dar calmante?

Só com orientação do veterinário. O CRMV-SP fala em calmante apenas em último caso e com acompanhamento profissional, e a Dogs Trust recomenda procurar o veterinário assim que o cachorro mostrar medo de fogos: ele pode checar se há um problema de saúde envolvido e indicar um comportamentalista ou outros tratamentos. Não dê remédio de gente por conta própria, e marque a consulta semanas antes: a véspera é a pior hora para testar algo novo.

Como diminuir o medo antes da próxima festa?

Com dessensibilização e contracondicionamento, começando meses antes, não dias. Use gravações de fogos de boa qualidade, toque num volume tão baixo que ele mal levante a cabeça, e dê petisco. Ao longo de semanas, aumente o volume aos poucos; se ele mostrar medo, volte ao volume anterior. A Dogs Trust oferece gravações gratuitas para isso, e a VCA descreve o método. No estudo de 2019, ensinar filhotes ou adultos ainda sem medo a associar o barulho a coisas boas foi muito eficaz para prevenir o medo depois, e entre os que já tinham medo, os cachorros treinados tendiam a melhorar. Se você tem um filhote, este é o melhor momento.

Ele late a cada estouro. Uso o comando de silêncio?

Não. Latido de medo não é latido de alerta: ele não está avisando, está assustado, e a ASPCA desaconselha punir latido que vem de medo ou ansiedade. Pelo mesmo motivo, um app que responde ao latido, como o DogHush, que nós fazemos, é a ferramenta errada para a noite dos fogos: foi feito para latido de alerta de um cachorro que conhece um comando, não para medo. Nessa noite, o que ajuda é você, o refúgio e, se for o caso, o veterinário.

Fogos com estampido não são proibidos?

Em muitos lugares, sim, e depende de onde você mora. Em 2023 o STF decidiu, com repercussão geral (Tema 1056), que municípios podem proibir a soltura de fogos com estampido; em 2021 a Corte já tinha validado a lei da cidade de São Paulo, citando os danos causados a animais. No estado de São Paulo, a Lei nº 17.389/2021 proíbe a queima e a soltura de fogos de estampido e de artefatos de efeito sonoro ruidoso, em áreas públicas ou privadas; os fogos de vista, só com efeito visual, continuam permitidos. Lá, o CRMV-SP orienta denunciar à Polícia Militar (190) ou à Guarda Municipal. Em outras cidades, confira a lei municipal. Isto é informação geral, não orientação jurídica.

Fontes

  1. Dogs Trust. Helping your dog cope with fireworks. https://www.dogstrust.org.uk/dog-advice/life-with-your-dog/seasonal/fireworks
  2. Riemer, S. (2019). Not a one-way road: Severity, progression and prevention of firework fears in dogs. PLOS ONE 14(9): e0218150. https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0218150
  3. CRMV-SP. Fique atento ao seu pet durante a queima de fogos de artifício (2020). https://crmvsp.gov.br/fique-atento-ao-seu-pet-durante-a-queima-de-fogos-de-artificio/
  4. VCA Animal Hospitals. Introduction to Desensitization and Counterconditioning. https://vcahospitals.com/know-your-pet/introduction-to-desensitization-and-counterconditioning
  5. ASPCA. Common Dog Behavior Issues: Barking. https://www.aspca.org/pet-care/dog-care/common-dog-behavior-issues/barking
  6. STF. Especial Meio Ambiente: STF decide que municípios podem proibir fogos de artifício ruidosos (RE 1210727, Tema 1056; ADPF 567), 2023. https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/especial-meio-ambiente-stf-decide-que-municipios-podem-proibir-fogos-de-artificio-ruidosos/
  7. Lei Estadual nº 17.389, de 28 de julho de 2021 (São Paulo). Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/2021/lei-17389-28.07.2021.html
  8. CRMV-SP. Queima de fogos de artifício com estampido é crime em São Paulo (2021). https://crmvsp.gov.br/queima-de-fogos-de-artificio-com-estampido-e-crime-em-sao-paulo/

Este guia é informação geral sobre comportamento canino, não orientação veterinária. Uma mudança repentina no latido, ou latido com sinais de sofrimento, é motivo para procurar o veterinário.